IGP participa de exercício simulado para atendimento em ocorrência de desastre climático com múltiplas vítimas
Publicação:
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) participou, nesta quarta-feira (6), do exercício simulado de resposta a desastre climático promovido pelo Governo do Estado e coordenado pela Defesa Civil em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. A atividade integrou forças de segurança, salvamento e órgãos de resposta em um cenário de deslizamento de terra com múltiplas vítimas. No contexto da perícia criminal, a atividade foi voltada aos servidores que atuam na área de abrangência da 2ª Coordenadoria Regional de Perícias (2ª CRP). A convite da 2ª CRP, também foram mobilizados dois agentes de cada um dos demais departamentos.
Durante o exercício, o IGP apresentou sua capacidade operacional, técnica e científica para atuação em eventos de grande magnitude, com foco na identificação de vítimas de desastres (protocolo DVI), perícia ambiental e apoio às investigações decorrentes de eventos extremos.
A perícia criminal atuou em três frentes simultâneas: no local do desastre simulado, com equipes responsáveis pela preservação de vestígios, custódia e remoção de vítimas; em um segundo ponto, com a coleta de dados e materiais biológicos de familiares de desaparecidos; e no Posto Médico-Legal (PML) do município, que serviu como base operacional para os procedimentos de identificação humana e necropsia.
Na base operacional montada junto ao PML, foram colocadas em prática técnicas de identificação por papiloscopia, odontologia legal e genética forense, incluindo demonstrações do uso do equipamento RapidHIT, que é capaz de gerar perfis de DNA em aproximadamente 90 minutos. A tecnologia gera resultados extremamente rápidos em comparação com outras técnicas com a mesma finalidade, colaborando em situações que exigem respostas em pouco tempo. Atualmente, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com o maior número de equipamentos deste tipo em operação, reforçando a capacidade operacional da perícia criminal gaúcha. Neste mesmo local, houve a demonstração de aparelhos portáteis de identificação biométrica.
Além das ações voltadas à identificação das vítimas, o exercício também contemplou a atuação das equipes de perícia ambiental e engenharia legal do IGP. Os peritos realizaram simulações de levantamentos técnicos em área de desmoronamento, com uso de drones, georreferenciamento dos principais pontos de interesse, scanner 3D e registros fotográficos especializados para análise da extensão dos danos, condições do solo, vegetação atingida e possíveis interferências de ação humana pré-existentes.
Em um cenário de desastre, essas informações são fundamentais para a caracterização dos danos ambientais, a delimitação da área questionada, o histórico de ocupação da área e a produção de subsídios técnicos para a investigação.
A equipe do Instituto-Geral de Perícias contou com mais de 30 agentes, entre peritos criminais, peritos médico-legistas, técnicos em perícia, papiloscopistas, fotógrafos criminalísticos, motoristas e servidores de apoio administrativo.
O Protocolo DVI
No Rio Grande do Sul, o Instituto-Geral de Perícias segue o protocolo internacional de Identificação de Vítimas em Desastres (conhecido pela sigla em inglês DVI), conforme diretrizes estabelecidas pela Interpol, que é referência mundial no tema.
Para organizar este tipo de resposta em situações críticas, a perícia criminal gaúcha conta com uma Comissão Permanente para Atendimento de Desastres em Massa. Criada em maio de 2024, a comissão é responsável por coordenar a atuação da perícia criminal desde o reconhecimento do desastre até a identificação e destinação das vítimas.
O exercício realizado nesta quarta-feira destaca a importância da atuação integrada das diferentes forças de segurança e órgãos de resposta em desastres de grande magnitude, e reforça também o preparo e a capacidade do Instituto-Geral de Perícias em responder a essas emergências.








