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Disque Denúncia

OBRAS DO CENTRO REGIONAL DE EXCELÊNCIA EM PERÍCIAS COMEÇAM EM CINCO DIAS
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A Ordem de Serviço para o início das obras do Centro Regional de Excelência em Perícias, o novo prédio do IGP/RS, foi assinada na manhã desta quarta-feira (29), na sala de reuniões da Secretaria Estadual de Obras, Saneamento e Habitação. O ato significa que a empresa vencedora da licitação, a KAEFE ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. deve iniciar, efetivamente, a obra em até cinco dias úteis. Passa a contar, igualmente, o período de 720 dias para a conclusão do empreendimento, ou seja, 24 meses (2 anos).

ImageO documento foi assinado pelos secretários estaduais da Segurança Pública, Wantuir Jacini, de Obras, Gérson Burmann e pelo diretor de Obras, arquiteto Julio Cesar Molina Diógenes, assim como o diretor da empresa construtora.
O prédio terá sete andares e vai abrigar, além do gabinete da direção geral e departamentos administrativos, a estrutura do Departamento de Criminalística, de Perícias Laboratoriais e de Perícias do Interior, em 11,7 mil m2 de área construída.
O novo prédio vai ocupar um terreno de 7,3 mil m2, localizado entre a Estação Rodoviária de Porto Alegre e o prédio da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP). O custo total da obra chega a 29,2 milhões de reais.

Texto e fotos – Norberto Peres – DG-IGP/RS em 29/07/2015      
 
SÉRIE PERITO EM DESTAQUE - perita criminalística MARIA CRISTINA BOTIZZO DE FARIAS
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ELA FOI A PRIMEIRA SUPERVISORA TÉCNICA DO IGP
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MARIA CRISTINA BOTIZZO DE FARIAS exerceu a profissão de perita criminalística por três décadas. De 1980, quando foi aprovada no Concurso Público, até 2010, ano da aposentadoria, ela acompanhou toda a evolução da Perícia Oficial do RS.
Convidada pelo diretor-geral Áureo Luiz Figueiredo Martins ela ocupou o cargo de primeira supervisora técnica do Instituto-Geral de Perícias (IGP).
E nessa função foi a responsável pelo início de um dos mais importantes avanços tecnológicos do IGP, o laboratório de DNA. No ano de 1998, duranteImage 30 dias, ela conferiu de perto o funcionamento do laboratório de DNA no estado de São Paulo.
Aliás, laboratórios sempre fizeram parte da vida profissional dela. Desde o curso superior de Biologia, passando pelo estágio na Fundação Zoobotânica do RS, ainda quando pairava a dúvida entre o magistério ou as pesquisas científicas.

A OPÇÃO PELA PERÍCIA

Foi justamente na Fundação Zoobotânica que Maria Cristina optou pela carreira de perita criminal. Ela lembra a influência do orientador do estágio, perito PEDRO CANÍSIO BRAUN, irmão do famoso poeta gaúcho JAIME CAETANO BRAUN.
Uma vez habilitada para o exercício da perícia criminal ela procurou se adaptar em uma das áreas da Criminalística. Porém, mesmo com dedicação à área da Documentoscopia Forense, Maria Cristina atuou, e muito, como perita em locais de crime. E das lembranças do trabalho pericial diretamente nos locais, ou na função de revisora dos laudos formulados pelos colegas, ela guarda no coração dois casos.

OS CASOS DO CORAÇÃO
ImageAté hoje envolto em mistério o caso do agricultor Olívio Correa, morador da cidade de Estância Velha, no Vale do Sinos. Ele foi encontrado sem os globos oculares naquele mês de novembro de 1995. Ataque de um animal selvagem? Prática criminosa para a realização de trabalhos de magia negra? Afinal, como o Sr. Olívio teve os dois olhos removidos. O impacto na sociedade e as repercussões na mídia foram muito grandes.
Um caso que marcou a trajetória da perita criminalística MARIA CRISTINA BOTIZZO DE FARIAS.

O outro caso foi o do paranaense Adriano da Silva, apontado como o assassino de 12 meninos com idades entre 8 a 13 anos. Os crimes ocorreram entreImage 2002 e 2003, em cidades do interior do Rio Grande do Sul, quando Silva tinha 25 anos. Ele ficou conhecido como o “serial killer de Passo Fundo” pois a maior parte das mortes aconteceu naquela cidade. No primeiro depoimento após ser preso, em janeiro de 2004, ele confessou as 12 mortes. Atualmente, afirma que confessou sob ameaça e assume apenas um assassinato. Adriano da Silva era procurado desde 2001, quando fugiu da prisão no Paraná. Tinha cumprido seis meses de uma pena de 27 anos pela morte de um taxista e ocultação do cadáver. Após a fuga, passou a viver no interior do Rio Grande do Sul, usando nomes falsos e fazendo pequenos trabalhos.
No caso do “monstro de Passo Fundo”, Maria Cristina revela uma característica peculiar do criminoso: o de não deixar vestígios nos locais onde praticava os assassinatos. Foram necessários exames de altíssima tecnologia para se chegasse à presença dele como autor de um dos crimes e as características que o identificassem como assassino em série.

ImageTragédias também figuram no currículo profissional da perita Maria Cristina. O incêndio no supermercado Ycuá Bolaños, em Assunção do Paraguai. Foi em 2004, no dia 1º de agosto e morreram mais de 200 pessoas. O governo paraguaio, sem estrutura para atender um caso com tantas vítimas, recorreu ao país vizinho. O IGP/RS, tendo em vista a qualificação dos servidores, tanto na área da Medicina Legal, quanto na perícia criminal, foi indicado pelo Governo Federal para atuar na identificação dos corpos, a maioria totalmente carbonizados.

Da mesma forma, Maria Cristina cita o acidente com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde morreram 199 pessoas. “AImage identificação de corpos numa tragédia como aquela é tão complicada, que só mesmo a tecnologia é capaz de determinar a identidade de uma vítima nas condições em que foi encontrada. Lembro que uma passageira do vôo 3054 não possuía nenhum parente que pudesse ceder material para o DNA. Ela havia sido adotada pela família. O material genético que permitiu a identificação do cadáver foi coletado de um frasco de remédio contra asma, a famosa “bombinha”, que a moça havia esquecido em casa antes de viajar” – relembra a perita.

ImageEntusiasmada pela capacidade de observação, de pesquisa, de dedicação ao propósito de esclarecer a verdade, virtudes dos melhores profissionais da perícia, MARIA CRISTINA BOTIZZO DE FARIAS destaca o Professor ERALDO RABELO, que foi decisivo na solução do crime na LAGOA DOS BARROS, na madrugada de 17 para 18 de agosto de 1940. A jovem Maria Luiza Häussler foi morta com um tiro no peito e jogada nas águas da Lagoa, amarrada a uns tijolos. O noivo, Heinz Werner Schmeling, apareceu no dia seguinte baleado no abdômen, alegando ter sido vítima de assalto. A prova que incriminou Schmeling, caracterizando o crime passional, foram marcas da olaria que fabricou os tijolos. O ponto de venda do material ficava próximo à residência dele, o que facilitou a descoberta da compra, dias antes. “Foi obra de um perito extraordinário” – ressalta Maria Cristina.

Já formada em Direito e atuando como advogada junto com uma amiga, MARIA CRISTINA BOTIZZO DE FARIAS garante: “a experiência adquirida nestes 30 anos são fundamentais para qualquer outra atividade que eu resolva desempenhar, principalmente no âmbito jurídico!”
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Texto e fotos – Norberto Peres – DG-IGP/RS em 28/07/2015
Fotos – Google e arquivo Ascom IGP/RS             
 
IGP e lideranças da região do Vale do Taquari participam de reunião de trabalho
A instalação de uma Coordenadoria Regional de Perícias (CRP), na cidade de Lajeado, pólo de desenvolvimento da região do Vale do Taquari foi a pauta da reunião da manhã de quarta-feira (29), no gabinete da direção-geral do IGP. Sob a coordenação do diretor do Departamento de Perícias do Interior (DPI), Imageperito criminalístico Marco Antonio Aurélio Curcio, a reunião contou com a presença de lideranças da CODEVAT (Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari). Tendo em vista a oferta da entidade de um espaço e as condições necessárias à instalação do IGP, com as unidades de Criminalística, Identificação e Posto Médico-Legal (PML), participaram do encontro o diretor do Departamento de Identificação, Guilherme Ferreira Lopes e a perita médica-legista, Márcia Vaz, representando a direção do DML (Departamento Médico-Legal).

Além do espaço, a CODEVAT, com o apoio da Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES) propõe convênio com o IGP, inclusive dotando o PML de uma câmara fria, equipamento fundamental para o atendimento à região composta por ....municípios e densamente povoada. Se a CRP for instalada em Lajeado, a região terá autonomia em relação aos serviços do IGP da Capital.

Texto – Norberto Peres – DG-IGP/RS em 29/07/2015
Fotos – Gabinete IGP      
 
SÉRIE PERITO EM DESTAQUE - perito criminalístico JUAREZ SILVEIRA GONÇALVES
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O homem que preserva a memória da Criminalística no RS
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O amor do perito criminalístico e advogado JUAREZ SILVEIRA GONÇALVES pela perícia criminal é evidente. Não apenas pela vida profissional dedicada àImage Segurança Pública, a maior parte dela à Perícia Oficial na área de Documentoscopia, mas pelo fato de, mesmo aposentado, nunca ter se afastado do meio. Até hoje ele cuida do Memorial CARLOS GUIDO DA SILVA PEREIRA, numa das salas cedidas pela UNIÃO GAÚCHA DOS POLICIAIS CIVIS (UGAPOCI), no centro de Porto Alegre.
Aliás, o testemunho de Juarez Gonçalves é o reflexo da própria trajetória da Perícia Oficial Gaúcha, inicialmente vinculada à Polícia Civil, na nomenclatura de Departamento de Polícia Técnico-Científica, passando pelo Coordenadoria Geral de Perícias e se tornando autônoma com o Instituto-Geral de Perícias.
 
Na verdade, Juarez Gonçalves ingressou na Polícia Civil no ano de 1971 como escrivão. Um ano e meio de serviços prestados na cidade de Bom Jesus, noroeste do Estado. Dos Campos de cima da Serra foi para Osório, no litoral norte onde ficou mais seis meses.
A vinda para Porto Alegre foi para ocupar um posto na Divisão de Transporte e Manutenção da Polícia Civil.
A partir de 1975, com a aprovação no vestibular para Direito, os sonhos atingiram um patamar mais elevado. Na encruzilhada entre a carreira de delegado ou perito, ele acabou optando pela perícia. Segundo Juarez, o perito que freqüenta o curso de formação e é habilitado para o exercício do cargo pode atender a qualquer tipo de perícia. Segundo ele próprio, a especialização em Documentoscopia não impediu o atendimento aos locais de crime e acidentes de trânsito.

OS CASOS DO CORAÇÃO

Os olhos brilharam quando JUAREZ GONÇALVES me contou sobre este caso.
Foi em Santa Maria, anos 80. Naquela época, os estudantes de Direito precisavam cumprir uma espécie de estágio nas audiências das diversas Varas (Família, Cível, etc). Havia um formulário a ser rubricado pelos juízes que presidiam as audiências. A presença do estudante era ratificada a partir da apresentação do formulário preenchido e assinado pelo magistrado.
ImageAcontece que um dos estudantes resolveu fraudar o sistema. A falsificação dos formulários era vendida a um bom número de colegas. O coordenador do curso de Direito desconfiou da fraude pela redução drástica no número de estagiários nas audiências. A polícia foi acionada e o perito Juarez escolhido como responsável pela investigação. Ele conta que, desde o princípio, a intuição conduziu o trabalho.
Mas como interpretar a fraude pelos indícios? E o que é pior: como chegar ao autor do delito? Foram horas e horas de observação detalhada das provas com o auxílio de um fotógrafo criminalístico aposentado, que ele fez questão de citar o nome: ALFREDO PINHEIRO. Foram 275 rubricas, cuidadosamente analisadas e comparadas. Outros tantos depoimentos de estudantes até chegar ao suspeito. No alojamento do falsário, a polícia encontrou um bolo de formulários em branco. Era a prova que faltava para a solução do caso.

Dos locais de crime o perito JUAREZ GONÇALVES se recorda que, de vez em quando, os peritos de plantão eram convocados a viajar. O próprio Juarez confessou que gostava de ir a lugares diferentes, quebrar a rotina, essas coisas. Numa cidade não muito distante da Capital, pouco mais de 200 Km, houve duas mortes após tiroteio. Uma das vítimas era policial. Dois criminosos procuraram a delegacia na tentativa de falsificar a documentação de um automóvel roubado. O delegado e o escrivão atraíram os dois, dando a falsa impressão de aceitarem propina. No dia marcado para a entrega do dinheiro seria dada voz de prisão aos dois. Porém, um terceiro comparsa aguardava na sala de espera o desfecho da negociação. Percebendo algo errado na conversa com os policiais ele invadiu a sala do delegado e deu-se o tiroteio. Tombaram o escrivão e um dos bandidos. Na fuga, um deles capotou o carro na saída da cidade e foi preso.
Sabendo de como se deu a ocorrência, o perito JUAREZ GONÇALVES foi ao encontro do delegado. De cara, soube que o carro utilizado na fuga dosImage bandidos havia sido retirado do local onde capotou. Estava no pátio da delegacia.
E onde ocorreram as mortes? Quero periciar o local? – disse Juarez ao delegado.
Ao entrar na sala onde tudo aconteceu o ambiente estava perfumado e tudo no lugar.
Intrigado, Juarez perguntou ao delegado: - O tiroteio foi aqui mesmo?
A resposta do colega encerrou o diálogo: - Sim, foi aqui. Estava tudo revirado, cheio de sangue pelo chão, um horror! Sabendo que o colega vinha, mandei a faxineira deixar tudo limpinho e organizado...

O MEMORIAL DA CRIMINALÍSTICA NO RS

ImageA sala 206 do prédio da UGAPOCI desperta o sorriso do perito JUAREZ GONÇALVES. Ele se orgulha de ter comparecido a todos os Congressos de Criminalística pelo Brasil afora. E guarda com carinho os panfletos e apostilas dos encontros. De modo especial, o evento de 1975, o 3ª Congresso da Associação Brasileira de Criminalística (ABC) que, no próximo mês de outubro, completa 40 anos.
Inclusive um Certificado de Participação assinado pelo próprio Coordenador Executivo do Congresso, o perito CARLOS GUIDO DA SILVA PEREIRA.
A história do evento datilografada em centenas de páginas, além de revistas técnicas, cartazes e as próprias discussões em torno da legislação que viria a garantir a autonomia da Perícia Oficial, no texto da Constituição promulgada em 1989.

Hoje, 1º secretário da ACRIGS Sindicato, a Associação de Criminalística do RS, JUAREZ GONÇALVES se orgulha de ter sido 1º vice-presidente da ABC, em 1990, após o Congresso de Salvador (Bahia), bem como duas vezes eleito presidente da ACRIGS. Sobre os 18 anos do IGP, completados no último dia 17, Juarez comemora:
“Torço pela interação cada vez maior entre a Polícia Civil, o IGP e o Judiciário!”

Texto e fotos – Norberto Peres DG-IGP/RS em 27 de julho de 2015
 
Assinado contrato para construção do Centro Regional de Excelência em Perícias
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O prazo de conclusão da obra é de 24 meses

O contrato para o início das obras do Centro Regional de Excelência em Perícias do Rio Grande do Sul foi assinado e os trabalhos de medição e cercamento do terreno iniciam ainda nesta semana. O ato está publicado Diário Oficial do Estado (DOE) desta segunda-feira (27).
A estrutura será erguida no bairro Navegantes, em Porto Alegre, ao lado da sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O prédio terá sete andares, totalizando 11,7 mil m2 de área construída, erguida em um terreno de 7,3 mil m2. A obra possui valor total de R$ 29,2 milhões. Destes, R$ 25,9 milhões são recursos do governo federal, com contrapartida do governo do Estado de R$ 3,3 milhões. O prazo de conclusão é de 24 meses.

Para o secretário Wantuir Jacini, a estrutura colocará a perícia criminal do RS em destaque. “O centro vai dar vazão à confecção dos laudos de todas asImage áreas da perícia. Uma vitória para a os órgãos da Segurança Pública e para toda população gaúcha”, ressalta.
A nova sede do Instituto Geral de Perícias (IGP) abrigará a administração central do órgão, as direções de departamento e todos os laboratórios responsáveis pelos laudos periciais. Servirá, também, como núcleo de treinamento e intercâmbio de conhecimento de profissionais de todo o território nacional e de países vizinhos.

O diretor geral do IGP, Cléber Müller, considera o início dos trabalhos a materialização de um sonho antigo dos peritos gaúchos prevê um salto na qualidade com os profissionais, os laboratórios e os equipamentos todos condensados em um só lugar. “Representa qualificação, conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e capacitação contínua. Um novo olhar para a perícia oficial do nosso Estado”, afirma.

Alciomar Goersch, diretor geral da SSP, lembra que dos cinco centros de excelência em perícia previstos pelo governo federal, o gaúcho será primeiro. Ele avalia a estrutura como sendo de extrema importância, pois deverá reunir os melhores e mais modernos laboratórios disponíveis no país. “O IGP vai aumentar a sua produtividade, diminuir custo com locações, promover a renovação de sua estrutura e garantir mais eficiência na prestação dos serviços”.

Para o chefe da Divisão de Projetos e Convênios do IGP, Jackson Dombrowski, um dos maiores benefícios estará na garantia da custódia das provas. “Se estivermos analisando material biológico, por exemplo, teremos a certeza de que ele será armazenado em uma câmara fria de alta tecnologia, preservando as características essenciais ao trabalho dos peritos”, frisa.

Texto – Claiton Rocha – SSP/RS em 27/07/2015
Fotos – Rodrigo Ziebell SSP/RS e Norberto Peres – DG-IGP/RS                
 
SÉRIE PERITO EM DESTAQUE - UMA RELÍQUIA ENCONTRADA NO DML
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Numa das muitas visitas do diretor-geral do IGP, perito criminalístico Cleber Ricardo Teixeira Müller, ao Departamento Médico Legal (DML), tivemosImage  acesso a uma peça histórica de valor inestimável e que, na celebração dos 18 anos do IGP/RS apresentamos aos leitores deste site. Por ocasião de pesquisa e busca de documentos no arquivo do DML, funcionários encontraram sob uma pilha de pastas antigas um livro de registros datado de 1921. A caligrafia de primeira qualidade, naturalmente através de caneta-tinteiro, a grafia característica do idioma português arcaico e a revelação de como procediam os antigos peritos médico-legistas, na segunda década do século passado. É como se o tempo retrocedesse em 94 anos, quase um século.
 
 O próprio livro, na primeira página já evidencia o aspecto de uma relíquia:
ImageLIVRARIA AMERICANA
CUNHA, RENTZSCH & Cia.
Andradas, 363 – Porto Alegre

A Livraria Americana era uma empresa de artes gráficas tradicional na cidade de Porto Alegre e tinha sede na esquina das ruas General Câmara com aImage  Andradas (Rua da Praia). Na foto em preto e branco(1898) aparece a casa ocupada pela livraria, desde a fundação.
No início do século XX foi construído um grande edifício no mesmo local como mostra a segunda imagem colorida (1910). Na parte térrea funcionava a livraria e, nos andares superiores, parte do tradicional Hotel Vienna.
A foto mais recente mostra o edifício da antiga Livraria Americana nos dias atuais. O prédio ainda mantém a arquitetura original.

Na capa, a finalidade da brochura: GABINETE MÉDICO-LEGAL DA CHEFATURA DE POLÍCIA – AUTOS DE NECROPSIA E VERIFICAÇÕES DE ÓBITO.
A data do registro é 30 de novembro de 1921, uma quarta-feira, à noite. O exame relatado naquela data se apresenta nestes termos, em alguns trechos:

AUTÓPSIA

Encontraram às vinte e uma horas do dia 30 de novembro de 1921, em decúbito dorsal sobre a mesa central do necrotério da Santa Casa o cadáver Image de um indivíduo de cor brancade dezessete anos de idade, presumíveis, trajando um terno de casimira de cor preta, camisa com colarinho mole e gravata preta, calçando botinas pretas e que pessoas presentes reconhecem ser o de A.R.M.L, transportado do prédio número 243 da rua Voluntários da Pátria, para este necrotério a fim de ser necropsiado. Despido o cadáver é em seguida retiradoda região abdominal um aparelho curativo, feito com gase, algodão e ataduras...


Mais adiante. Na seqüência do laudo de necropsia, o legista descreve uma sutura:

“...ajustados por quatorze pontos de sutura. Retirados esses pontos de sutura, verificam que as camadas subjacentes da parede abdominal do ventre também se acham suturadas. A inspeção interna levantado o plastrão toraxico-abdominal verificam sufusões sanguíneas do cólon transverso e uma perfuração do meso-cólon suturados com pontos de categute*; uma sutura longitudinal ao nível do duodeno, uma sutura transversal ao nível do jesuno; uma sutura ao nível do mesentério; duas perfurações não suturadas ao nível da parte terminal do cólon descendente; ao nível do osso ilíaco uma sutura na parede anterior e outra na parede posterior deste segmento do intestino. Em relação com este ferimento um ferimento circular no peritônio seguindo-se o trajeto que atravessa o músculo..., o osso ilíaco, notando-se pela palpação na parte  superior da região glútea esquerda ao nível da espinha ilíaca superior anterior esquerda e doze centímetros para trás desta, um corpo estranho situado debaixo da pele que extraem em seguida e verificam ser uma bala blindada como as que se usam nas pistolas automáticas Browning* e a vista destas lesões constatadas dos órgãos da cavidade abdominal podem reconstituir o percurso, do ferimento de bala cujo orifício de bala é situado na região mesogástrica seguindo numa direção através dos órgãos abdominais de cima para baixo, de dentro para fora, até a parte superior da região superior da região glútea esquerda, onde foi encontrada a bala. Nenhuma lesão foi encontrada nos órgãos da cavidade toráxica sendo, porém, digno de nota o estado exangue (ensangüentado) em que se encontra o cadáver, quer pelo exame da pele, das mucosas e dos órgãos internos. E sendo as lesões constatadas suficientes para explicar a causa da morte dá por terminada a presente necropsia e responde aos quesitos da seguinte forma: ao primeiro, sim, houve a morte; ao segundo, hemorragias produzidas por ferimento penetrante do ventre por arma de fogo carregada com bala; ao terceiro, não; ao quarto, sim; aos quinto, sexo e sétimo, o ferimento era por si mortal.

Assinados: Doutores JACINTHO GODOY GOMES E JOÃO PITTA PINHEIRO FILHO

ImageJacintho de Godoy Gomes (1886-1959) Natural de Cachoeira do Sul, psiquiatra de destaque na primeira metade do século XX, fundou uma das maiores clínicas de psiquiatria do sul do País. Em 1911 formou-se em Medicina. Em 1913 tornou-se funcionário público e interessou-se por Medicina Legal sob influência do Dr. João Pitta Pinheiro Filho (avô do Prof. Manoel Albuquerque Pitta Pinheiro). De agosto de 1913 até 1924 foi médico-legista da Chefatura de Polícia.

*Categute é uma espécie de fio, elaborado com intestino de animais e que servia para a realização de suturas em procedimentos cirúrgicos antigos.

*Browning é uma pistola de fabricação belga,  semi-automática de calibre 9 mm e ação simples (single-action), baseada em ideias concebidas eImage patenteadas em 1922.

Quatro dias depois, 04 de dezembro de 1921, um domingo,  foi feito o registro seguinte. Porém, ao contrário do anterior, o exame necroscópico não foi completo. Fica clara a verificação do óbito e a causa da morte atestado mediante observação in loco.

Nome: F.P
Idade: 28 anos
Estado(civil): Solteiro
Naturalidade: da Espanha
Cor: Branca
Profissão: empregado do Porto
Residência: Rua Duque de Caxias, 45

Encontrado morto em sua residência, amolhado num esquife.
Lugar onde é examinado: na própria residência
Causa da morte: fratura do crânio.
Circunstâncias especiais: o paciente trabalhava ontem à tarde em um guindaste, nas obras do Porto, à Praça da Harmonia, quando sucedeu bater-lhe um braço deste na cabeça, atirando-o à água. Retirado desta e atendido por profissionais que tentam despertar-lhe a vida, improficuamente, verificando a morte. Hoje examinado apresenta infiltração edematosa e equimose de coloração azulada em ambas as pálpebras e um ferimento contuso medindo nove centímetros de comprimento na região fronto-parietal direita, vendo-se uma fratura completa do osso parietal direito. Sendo clara a causa da morte, dispensa-se a autópsia.
Data: 4 de dezembro de 1921
(Assinado: Dr. Pitta)

Nota complementar: esta verificação foi reduzida a auto de necropsia, declarando-se o que consta nas circunstâncias especiais e com as seguintes respostas aos quesitos:
Ao primeiro, sim; ao segundo, fratura de crânio; ao terceiro, não; ao quarto, sim; aos quinto, sexo e sétimo, a lesão era por si mortal.


ImageA foto ao lado mostra o início da Rua Duque de Caxias onde ocorreu essa verificação de óbito. A numeração antiga, 45, do lado esquerdo deve ter sido uma casa demolida para a construção de um edifício. Atualmente, a rua
Duque de Caxias inicia no número 153. Ao fundo se vê a Praça da Harmonia, citada no texto. Trata-se da Praça Brigadeiro Sampaio, próxima à Usina do Gasômetro.


Texto e produção – Norberto Peres – em 21/07/2015
Ilustrações - Google e Google Maps      
 
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